Aquilino Ribeiro foi um dos maiores escritores e prosadores portugueses do século XX, destacando-se também como um fervoroso ativista político antimonárquico e opositor à ditadura do Estado Novo. Frequentemente apelidado de "O Mestre" ou o escritor das "Terras do Demo", a sua vasta e rica produção literária divide o primado das letras portuguesas da sua época com Fernando Pessoa.
Percurso Literário
Considerado por muitos críticos o expoente máximo da prosa portuguesa contemporânea, o seu estilo aliava uma erudição profunda a um léxico regional e popular riquíssimo.
Variedade de géneros: Escreveu romances, novelas, contos, biografias, literatura infantil, estudos históricos e traduções.
Obras marcantes: Iniciou-se com o folhetim A Filha do Jardineiro (1907) e o livro de contos Jardim das Tormentas (1913). Entre os seus maiores sucessos destacam-se A Via Sinuosa, Terras do Demo, O Malhadinhas e o clássico infantil O Romance da Raposa.
Liderança cultural: Foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1956.
Ativismo Político e Exílio
A vida de Aquilino foi marcada pela forte intervenção cívica e pela defesa dos ideais republicanos e democráticos:
Conspiração antimonárquica: Envolveu-se na rede secreta da Carbonária e foi preso em 1907, conseguindo fugir para Paris após o regicídio de 1908.
Oposição à Ditadura: Combateu ativamente o regime de Salazar, participando em várias revoltas militares frustradas (como em 1927 e 1928). Viveu na clandestinidade e no exílio por diversas vezes.
Campanhas democráticas: Já mais velho, apoiou as candidaturas presidenciais de oposição lideradas por Norton de Matos (1949) e Humberto Delgado (1958).
Reconhecimento e Legado
Em setembro de 2007, por decisão unânime da Assembleia da República, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional em Lisboa.
Foi condecorado a título póstumo com a Ordem da Liberdade.
O seu nome batiza várias ruas, escolas e o conhecido Parque Aquilino Ribeiro, localizado em Viseu.


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